quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Música V - Vinil - Manual de Instruções do DD200Q

 

MANUAL DE  INSTRUÇÕES  -  MODEL   DD200Q

 

 Manual do DD200Q

Nessas instruções, faremos algumas referências aos controles do amplificador (ou receiver) ao qual estará ligado o  Model DD200Q.

  • Verifique se  todos os controles do amplificador estão na  posição STEREO e  a  chave seletora (SELETOR) na posição PHONO,
  • Abaixe completamente o volume do  amplificador.  Solte  o  braço de sua trava  de retenção.
  • Ajuste  o  controle de seleção de velocidade ( SPEED SELECT) de acordo com o  disco a ser tocado ( 33 1/3 ou 45 rpm).
  • Posicione o controle de seleção do  tamanho dos discos ( RECORD  SIZE) na posição correspondente ao  tamanho  do  disco a  ser escutado.   
    • Disco 30 cm( 12”) -  “30”
    • Disco 25 cm  (10”) -  “25”
    • Disco 17cm  ( 7”)   -  “17”
  • Ajuste  o controle  de repetição ( REPEAT) de acordo com  o número de vezes que o  lado do disco deverá ser repetido.
  • Ligue os dois  aparelhos . Para  ligar  o  Model DD 200Q, puxe suavemente a  alavanca START/REJECT na direção do  START, soltando em seguida. O braço movimentar-se-á automaticamente até a  posição do  primeiro sulco do  disco,  onde descerá suavemente. 
  • Aumente gradativamente o  volume do  amplificador, controlando-o ao seu critério. 
  • Ao  final do disco, o braço levantar-se-á  e  voltará à posição de repouso  automaticamente. 
  • Pode-se, entretanto,  interromper a  execução de uma faixa e  saltar para outra  música, utilizando-se o  controle de  elevação do  braço (UP/ DOWN)                                                 

         

    

 

👍 Manual moderno reescrito do DD-200Q já adaptado para a cápsula VM95EN.

  • Ele funciona como um manual claro de uso diário (bem mais direto que o original dos anos 70).
  • Toca Discos Gradiente DD200Q com cápsula AudioTechnica VM95EN. 

1. Antes de ligar (muito importante):

    •   Coloque o tocadiscos em superfície firme
    •   Nivele usando um nível de bolha 

2. Preparando o braço: 

    • Zerar o braço  
    • Antiskating = 0 
    • Gire o contrapeso até o braço flutuar. 
    • Deixe perfeitamente horizontal. 
    • Gire somente o anel numerado até marcar 0. 
    • Gire o contrapeso completo até: → 2,0 g (valor ideal). Faixa segura: 1,8 a 2,2 g

 3. Antiskating: 

    •  Ajuste igual à força de apoio: → posição 2. 
    • Ajuste fino (opcional): • chiado no canal direito → aumente • chiado no canal esquerdo → diminua

 4. Altura do braço (VTA).  

    • Objetivo: braço paralelo ao disco enquanto toca. 
    • Se traseira estiver alta → som fino. Se traseira estiver baixa → som abafado.

 5. Alinhamento da cápsula - Use um protractor:



    • Ajuste a cápsula paralela às linhas.
    •  Confirme nos  dois pontos do gabarito e
    •  Aperte os  parafusos da cápsula apenas o suficiente.

 6. Operação diária - Tocar discos. 

    •  Selecione 33 ou 45 rpm. 
    •  Pressione START - O braço posicionará automaticamente. 
    • Parar - Pressione STOP — o braço retorna sozinho. 
    • Repetir disco - Use a função REPEAT (se equipada)

 7. Cuidados importantes.

  • Nunca:
    • empurre o braço manualmente durante o automático. 
    •  toque no disco girando. 
    • transporte toca discos sem travar o braço.
  •  Sempre:
    • limpe a agulha após uso. 
    • guarde com tampa  fechada. 
    •  use discos limpos.
 8. Manutenção básica. 
  • A cada mês:
    •  limpar contatos do headshell.  
    • limpar  agulha com escova  macia.
  •  A cada ano:
    •  verificar cabos RCA.
    •  verificar nivelamento

9. Diagnóstico rápido

Som distorcido:

→ força baixa ou alinhamento de Som fechado.

→ disco sujo ou antiskating errado. 

→ cápsula desalinhada.

→ azimuth incorreto.

 10. Amaciamento da agulha.

A VM95EN atinge desempenho máximo após ~10 horas de uso contínuo.

 11. Ajuste fino por ouvido (método audiófilo)

  • Use um disco bem gravado que você conheça bem.
  • Centralização de voz: Ouça uma voz solo no centro.
    • Puxando para esquerda → aumentar levemente antiskating.
    • Puxando para direita → diminuir levemente antiskating
  •   Sibilância (sons de “S”). 
    •  chiado no início do lado → força de apoio baixa. 
    •  chiado no final do lado → alinhamento ou azimuth.
  • Grave e corpo. 
    • grave magro → braço muito alto atrás (VTA). 
    •  grave pesado/embolado → braço muito baixo atrás
  •  Palco sonoro. 
    • som preso nas caixas → azimuth incorreto. 
    •  palco abre ao ajustar → posição correta encontrada.

 Faça micro ajustes sempre em passos mínimos e teste novamente.

 

Música IV - Vinil - Toca Discos Gradiente DD200Q

🎵 Toca-discos Gradiente DD-200Q.        

 Descrição completa.

 

 O Gradiente DD-200Q é um toca-discos Hi-Fi brasileiro do fim dos anos 70 (aprox. 1979), considerado um dos modelos vintage nacionais.

Ele não é um projeto simples: na prática é um JVC japonês (derivado do JVC QL-F4) fabricado sob licença pela Gradiente, por isso tem nível técnico bem acima das vitrolas comuns da época.

   🧠 Conceito do aparelho

  • A ideia do DD-200Q era  oferecer: precisão de rotação de padrão profissional, operação automática confortável e som de alta fidelidade (Hi-Fi real).

   ⚙️ Construção mecânica 

  • Tipo: Direct Drive automático.
  • Motor: DC com controle por quartzo (Quartz-Lock). 
  • Velocidades: 33 e 45 rpm.
  • Isso significa na prática que o prato é ligado direto ao motor (Direct Drive), sem correia, resultando em torque alto e estabilidade. 

 

 

  •  Quartz Lock → a rotação é travada eletronicamente.  A música nunca desafina.
  •  Flutuações de tom  ou  oscilações de  velocidade (Wow & flutter) muito baixas (≈ 0,025%).
  •  Tom  (pitch) extremamente estável. Característica de aparelhos de estúdio da época
  •  Braço (tonearm) - Braço em “S” balanceado com contrapeso regulável, antiskating, lift hidráulico suave e headshell removível universal. Isso permite instalar praticamente qualquer cápsula MM moderna (Audio-Technica VM95, AT3600, Shure, etc).

 

🎚️ Funcionamento automático.

      🦾 totalmente automático:

  •  Start → braço vai sozinho para o disco.
  •  Stop → retorna sozinho.
  •  Desliga no fim.

 🔊 Desempenho de áudio

  • Barulho do motor (Rumble): ~72 dB; Resposta: 10 Hz – 25 kHz; 
  •  Separação de canais: 35 dB;
  •  Som típico: grave firme, médios limpos e agudos suaves (característica JVC).

📏 Dimensões e construção

  •  Peso: ~6,5 kg; Base pesada amortecida; Tampa acrílica; bivolt.
  •  base  rígida e bem desacoplada. Por isso quase não microfona.

 💿 Cápsula original

  •  Pickering XV-15 400E ( de fábrica).
  • Hoje costuma ser substituída por: AT-VM95, AT3600.

 🧭 Personalidade sonora

  • O DD200Q é conhecido por ter som equilibrado, natural e silencioso. Soa mais “orgânico”.

 😊 Gradiente DD-200Q normalmente toca MUITO melhor que vitrolas modernas.

        Não é nostalgia. É engenharia.

  1.  O motor (o coração do toca-discos) DD-200Q é um Direct Drive com quartzo  Com rotação monitorada 1000 vezes   por segundo. Erro praticamente zero. 
  2. A música sai na afinação correta. O DD200Q parece mais “vivo” e natural.
  3. DD-200Q tem Prato pesado = volante mecânico.  Ele continua girando perfeitamente mesmo com resistência da agulha.
  4. O braço (tonearm) - Esse é um fator muito ignorado, mas importante. O braço do DD-200Q tem massa correta, rolamentos de precisão, antiskating real e ajuste fino, deixando a agulha seguir o sulco sem lutar contra o disco.
  5. Vibração (o inimigo invisível). No DD-200Q a base pesada, os amortecedores nos pés e o motor isolado fazem com que a cápsula leia só o sulco.
  6. Por fim o pré-requisito fundamental: Rastreamento Correto. O sulco do vinil é microscópico e a agulha precisa seguir uma montanha-russa microscópica a 0,5 m/s. E O DD-200Q foi feito para isso.

🎧 O que você escuta na prática com o DD200Q:

🧭 Voz natural, grave cheio, palco largo, sem fadiga e disco preservado. O DD-200Q não melhora o som. Ele não estraga o  som  gravado no disco.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Música III - Vinil - Conjunto de Som JVC

 

   





   TOCA – DISCOS GRADIENTE DD200Q + AMPLIFICADOR JVC JA - S55 + EQUALIZADOR JVC SEA - 50 + TUNE JVC T - X II + CASSETTE DECK JVC KD - A22 + CAIXAS DE SOM   SONY HX - 100

Sistema de áudio vintage completo dos anos 70/80 com peças de qualidade, predominantemente linha "Black Death" da JVC.

Vamos analisar cada componente e como eles se integram:

🔊 Sistema

🎵 Toca-discos: Gradiente DD-200Q

🎚️ Amplificador: JVC JA-S55

🎛️ Equalizador: JVC SEA-50

🔈 Caixas acústicas : Sony HX-100

🎵 Tune:  JVC T - XII

🎵 Toca Fita: Cassete deck KD - A22

👉 É um sistema japonês clássico + toca disco nacional, com ótima sinergia.

                            🎧 Caráter sonoro de cada peça.

                               🔹 Toca Discos DD-200Q da Gradiente (versão do JVC QL – F4)      

·       Som equilibrado,

·       Bom médio,

·       Grave correto (não exagerado),

·       Toca-discos brasileiro ( Direct Drive), conhecido pela estabilidade e baixo wow & flutter.

·       Cápsula magnética e agulha Pickering XV-15 400E ( de fábrica) e

·       Braço em S.

       Dica  importante: verifique a agulha (estilo) e se o peso do braço está calibrado.

 🔹 Amplificador JVC JA-S55 -  Coração do sistema. Amplificador integrado estéreo da série "Super A", famosa por sua tecnologia de baixa distorção.

·       Potência geralmente em torno de 55-60W RMS por canal (dependendo da impedância).

·       Som rápido, limpo e firme,

·       Grave seco (DC),

·       Médio neutro,

·       Não “adoça” o som → o EQ é bem-vindo,

·       Centro de comando do sistema. Todos os componentes devem ser conectados a ele.

  🔹  Equalizador JVC SEA-50 - Processador de som,

·       Equalizador musical de 10 bandas,

·       não agressivo,

·       Ideal para vinil,

·       Deve ser conectado entre a saída PRE-OUT e entrada MAIN-IN do amplificador JA-S55 ou no loop de gravação (TAPE MONITOR),

·       Excelente para corrigir sala + caixas,

  🔹 Fonte de Rádio:  Tune JVC T – XII - FM/AM

·       Design complementar ao amplificador JA-S55,

·       Conecta-se a uma entrada dedicada (TUNER) no amplificador.

   🔹 Fonte de Fita K7: Cassete Deck JVC KD-A22.

·       Gravador e reprodutor de cassetes de 2 cabeças.

·       Parte estética da linha “Black Death”.

·       Conecta-se a uma entrada TAPE (ou AUX) no amplificador. Use o loop de gravação para                         monitorar  fitas.

    🔹 Caixas de Saída de Som: Caixas Sony HX-100.       

·       Caixas acústicas de 3 vias (tweeter, driver de médios, woofer) com boa eficiência.

·       Médio um pouco recuado

·       Agudo pode ficar forte se exagerar

·       Grave presente.

·       São as "vozes" do sistema: uma combinação do som "quente" e controlado do JVC com as caixas Sony. Resultando em um som muito agradável.

  🔊 Como Conectar Tudo (Diagrama Lógico):

 A conexão CRÍTICA é entre o Amplificador e o Equalizador. O JA-S55 tem conectores PRE-OUT/MAIN-IN na traseira.                                 

  🔹     Melhor Configuração (Usando PRE-OUT/MAIN-IN):

·       Conecte outro cabo RCA da SAÍDA (OUT) do SEA-50 PARA a MAIN-IN do amplificador.

·       Todo o sinal que o amplificador processa passará pelo equalizador, permitindo controle total.

·       Conecte o Toca-discos na entrada PHONO do amplificador. (Lembre-se: o terra do toca-discos também deve ser conectado ao terminal de GND do amplificador).

·       Conecte o Tune JVC T-XII na entrada TUNER.

·       Conecte o Cassete Deck JVC KD-A22 na entrada TAPE (ou AUX).

·       Conecte as Caixas Sony aos terminais de alto-falantes do amplificador (respeitando a                                polaridade: + com +, - com -).

  🔹   Potenciais Desafios e Dicas:

·       Compatibilidade de Níveis: O toca-discos Gradiente deve ter saída de nível de phono (baixo) e precisa da etapa de pré-amplificação PHONO do JVC JA-S55. Certifique-se de que o botão de seleção de fonte no amplificador está em PHONO para tocar discos.

·       Fios e Cabos: Use cabos RCA de boa qualidade e fios de alto-falante com diâmetro adequado (16 AWG é suficiente).

·       Sequência de Ligação: Sempre ligue o amplificador por último e desligue-o primeiro para evitar pops que possam danificar as caixas.

·       Equalização: Comece com todos os controles deslizantes (sliders) do SEA-50 no centro (0 dB) e ajuste conforme sua preferência e acústica da sala.

  🔹   Conclusão:

·       Esse é um sistema vintage coeso e de alta qualidade. A estética "Black Death" da JVC harmonizasse      visualmente com o toca-discos Gradiente e as caixas Sony, adicionando diversidade. O som será analógico, quente e altamente controlável, típico do áudio da era de ouro.

 



 

                                                         



                                          


segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Música II - Vinil - Rodando no Toca discos.

 


                                           (I got a right to be wrong -  The  Allman Brothers)

O que acontece no toca-discos?

Quando você coloca o disco para tocar: O prato gira. A agulha cai dentro do sulco. E o sulco obriga a agulha a vibrar exatamente como o som original.

 A agulha não “lê” o disco — ela é chacoalhada pelo sulco.

 O truque: sulco em V a 45° / 45°.

Desde 1958 o vinil estéreo usa o sistema 45/45.

O sulco é assim:

\    /

 \  /

  \/

Cada parede do V está inclinada a 45°.

🟦 O canal esquerdo é gravado na parede esquerda do sulco (45° em relação à vertical).

🟥 Canal direito é gravado na parede direita do sulco (-45°).

🧲 A agulha lê os dois ao mesmo tempo.

A ponta da agulha toca as duas paredes e vibra para a esquerda/direita → diferença entre canais, e para cima/baixo → som mono (igual nos dois).

 Então: Se só o canal esquerdo toca → a agulha se inclina para um lado. Se os dois tocam igual → a agulha sobe e desce.

A cápsula tem duas bobinas posicionadas exatamente a 45° para capturar essa vibração.

🧠 Isso cria o estéreo real.

 Quando um violão está à esquerda só a parede esquerda do sulco tem ondulação, então a bobina esquerda da cápsula gera mais sinal.

Seu ouvido percebe a posição no espaço. Nada é simulado. Nada é digital. É pura geometria.

Como a vibração vira eletricidade?

A agulha está presa a um pequeno gerador dentro da cápsula. O movimento da agulha (vibração mecânica) gera um  campo magnético que  vira um sinal elétrico estéreo que sai da bobina e entra no amplificador pelo PHONO.

Existem dois tipos principais de geradores:

MM (Moving Magnet.).

MC (Moving Comil).

Em ambos: vibração mecânica → campo magnético → eletricidade.


Por que precisa de pré-amplificador (PHONO)?

O sinal que sai da cápsula é extremamente fraco, com os graves propositalmente reduzidos e agudos exagerados (padrão RIAA). Então o phono faz duas coisas: amplifica e restaura a curva correta de graves e agudos. Sem ele, o som ficaria fino e baixo.

Depois do phono, o sinal vai para o amplificador que aciona as caixas de som. O ar vibra e seu ouvido escuta a música 🎶 🎶 🎶 🎶.

Como funciona o estéreo do vinil?  E por que soa como “3D”?

Os dois canais vêm do mesmo ponto físico, com variações contínuas e sem quantização.

O cérebro interpreta isso como: - Profundidade,- Ar e Palco real.

A ponta da agulha toca as duas paredes ao mesmo tempo, vibrando em duas direções combinadas, executando  dois  tipos de movimentos:

🔹 Movimento lateral (↔) - Quando os dois canais são iguais - Som mono. A agulha vai para esquerda e direita.

🔹 Movimento vertical (↕) - Quando os canais são opostos - som estéreo. Cria sensação de espaço.

Na prática, todo som estéreo é uma combinação contínua desses dois movimentos.

 Nos LPs mono as duas paredes do sulco se movem iguais, só existindo movimento vertical.

Quando você toca um mono numa cápsula estéreo a agulha soma os dois lados e o som sai perfeito.


🧠 Como a cápsula separa L (canal esquerdo) e R (canal direito)?

Dentro da cápsula existem duas bobinas montadas a 45° / 45°, exatamente alinhadas às paredes do sulco. Cada bobina “enxerga” apenas a vibração da sua parede correspondente. Isso gera sinal esquerdo e sinal direito. Separação física perfeita.

  🎵 Exemplos claros

🎤 Voz no centro. L = R. Sulco se move lateralmente. Voz fica “presa” no meio do palco.

🎸 Guitarra à esquerda. Vibração maior na parede esquerda. Bobina esquerda gera mais sinal. Som vem da esquerda.

 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Música 1 - Vinil - Processo de gravação.






 



O disco  de vinil é um excelente  exemplo de  tecnologia 100% mecânica transformando vibração em  música.

Em sua superfície existem sulcos em espiral que vão da borda até o centro. E esses sulcos tem ondulações em  suas  paredes que  reproduzem exatamente as  vibrações do  ar que  foram captadas no estúdio de  gravação,  ou  seja,  um  microfone capta  o  som,  que  vira sinal  elétrico,  que  move  uma  agulha de  corte que  escava o  sulco no  disco matriz.

Se  você aumentar  o  sulco  milhares  de  vezes,  verá  algo  assim:

V  VV  V 

As  ondulações do  lado esquerdo  do  sulco vão  acionar o  canal  esquerdo do  amplificador.  Os  da  direita, o  canal direito. Ou  seja: o  som  estéreo está fisicamente “esculpido” no vinil. É literalmente geometria  gravada em  plástico, no  sistema  45º/45º.

Esse  sistema chamado 45/45 é  usado  pelo vinil  estéreo desde  1958: cada  parede do V  esta inclinada 45º em  relação ao  eixo  vertical. O canal esquerdo está  gravado na  parede esquerda,  movimentando-se  ao  longo desse  plano de  45º. O  Canal  direito está gravado na  parede  direita e  também movimenta-se ao  longo  do plano.

Na prática,  todo o som  estéreo é  uma combinação contínua desses dois movimentos. E ele soa tão  “real”  porque  os dois canais nascem do  mesmo ponto  físico.

- Não há conversão digital,

- Não    amostragem,

- Não há “passos”.

O cérebro  recebe variações  continuas de  tempo, fase  e  intensidade e isso cria:

- Profundidade

- Imagem central sólida e

- Sensação de espaço real.

Essa é  uma das coisas mais geniais na  engenharia do som.

O estéreo  no vinil não está  “ao lado” do  outro. Ele está dentro da geometria do sulco.

Vibrações do  ar de décadas atrás estão  moldadas no  plástico.  Quando você roda um LP dos anos 70,  sua  agulha está  seguindo  as  mesmas ondulações que a  voz do cantor produziu naquele  dia.

Não é simulação.  É física  pura.

O vinil é  uma fotografia física do  som. É  som  fossilizado.