O disco de vinil é um excelente exemplo de tecnologia 100% mecânica transformando vibração em música.
Em sua superfície existem sulcos em espiral que vão da borda até o centro. E esses sulcos tem ondulações em suas paredes que reproduzem exatamente as vibrações do ar que foram captadas no estúdio de gravação, ou seja, um microfone capta o som, que vira sinal elétrico, que move uma agulha de corte que escava o sulco no disco matriz.
Se você aumentar o
sulco um milhares de
vezes, verá algo
assim:
V VV V
As
ondulações do lado esquerdo do
sulco vão acionar o canal
esquerdo do amplificador. Os da direita, o
canal direito. Ou seja: o som
estéreo está fisicamente “esculpido” no vinil. É literalmente
geometria gravada em plástico, no
sistema 45º/45º.
Esse
sistema chamado 45/45 é
usado pelo vinil estéreo desde
1958: cada parede do V esta
inclinada 45º em relação ao eixo
vertical. O canal esquerdo está
gravado na parede esquerda, movimentando-se ao
longo desse plano de 45º. O
Canal direito está gravado
na parede direita e
também movimenta-se ao longo do plano.
Na prática, todo o som estéreo é
uma combinação contínua desses dois movimentos. E ele soa tão “real”
porque os dois canais nascem
do mesmo ponto físico.
- Não há conversão digital,
- Não há amostragem,
- Não há “passos”.
O cérebro recebe
variações continuas de tempo, fase
e intensidade e isso cria:
- Profundidade
- Imagem central sólida, e
- Sensação de espaço real.
Essa é uma das coisas mais
geniais na engenharia do som.
O estéreo no vinil não está “ao lado” do
outro. Ele está dentro da geometria do sulco.
Vibrações do ar de décadas
atrás estão moldadas no plástico.
Quando você roda um LP dos anos 70,
sua agulha está seguindo as
mesmas ondulações que a voz do
cantor produziu naquele dia.
Não é simulação. É física pura.
O vinil é
uma fotografia física do som.
É som
fossilizado.
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